Sala do Rapha #2 – Por que virei professor?

13 de abril de 2015

Talvez, a pergunta mais indicada não seja “por que”, mas sim “como”. Já tive muitos sonhos desde criança, como ser técnico de futebol, motorista de ônibus e taxista, mas não posso ser hipócrita e dizer que sempre foi meu sonho ser professor. Tá bom, existem poucas coisas que consigo me imaginar fazendo ao invés de dar aula, mas todas elas envolvem lidar com pessoas, assim como poder passá-las alguma coisa.

Tive uma professora de Inglês que me mostrou como é melhor aprender quando nos sentimos à vontade e queremos estar naquele lugar. Mostrou como o aprendizado se torna mais interessante quando estamos ao lado de alguém que possamos contar do que simplesmente “um professor”. E a isso que me doo ao máximo para passar aos meus alunos.

Há alguns 7 anos, ela falou comigo sobre a oportunidade e meu interesse em dar aula, já que, nas palavras dela, sou “comunicativo, expressivo e tenho um Inglês muito bom”. Hoje, posso admitir, com franca honestidade, que a ideia não me animou logo de cara. Ao passar por algumas reflexões da vida (e como gosto delas), vi que me encontrava sem prospecto nenhum de emprego, já que havia acabado de começar a faculdade de Engenharia Mecânica e um estágio na área demoraria a chegar. Então, passei a ver a oportunidade com outros olhos e decidi “dar uma chance” (como se eu fosse lá grande coisa).

Fui às aulas de Inglês com a ideia fixa de saber mais sobre a oportunidade. No entanto, vi que não seria exatamente fácil como eu pensava. Precisava tirar dinheiro de algum lugar, que acabaria vindo do meu irmão, para pagar a prova do certificado que precisava para dar aula, além de passar por um extenso treinamento diário para aprender a metodologia e pegar dicas com os mais experientes.

Novamente, com franca honestidade, vi aquele emprego apenas como uma fonte de renda que pudesse juntar ou, até mesmo, para pagar saídas. Contudo, não imaginava amar o que faço da maneira que amo e, de certo, não tinha a menor ideia de como minha vida mudaria dali pra frente. Quase tudo o que tenho ou já tive, entre amigos, namoradas, conquistas, viagens e afins, devo ao curso onde trabalho e à minha profissão. Tenho a honra de levar grandes amizades, que conheci dentro de sala, para a vida.

Entro em sala com o objetivo de sempre passar algo para os alunos, seja didático ou não, e me esforço ao máximo para “tirá-los da vida” por algum momento menor que seja, para que eles estejam ali comigo, ao invés de encarando problemas. Por mais irônico que possa parecer, o que acontece é exatamente o oposto, já que me esqueço de tudo e todos quando estou dentro de sala e perto dos meus alunos.

Como sempre digo ao final de cada aula: obrigado pela atenção! Até semana que vem! Ah, sugestões e críticas, só mandar para: raphael@thedudes.com.br

Espalhe o Dudecast
  • Raphael, no Dudecast #21 você comentou sobre o certificado adquirido ao prestar o Michigan Exam Test. Você poderia comentar mais sobre essa prova numa próxima postagem, tipo as dificuldades que você teve, o que achou do nível da prova e tal?

    Grande abraço!

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